CRÓNICAS & ARTIGOS

Tradições em família

As tradições fazem parte da vida de qualquer de nós. Todos reconhecemos tradições que são universais, como por exemplo o dia de ano novo ou a noite de natal, em que a família se reúne e troca presentes. Existem também tradições que são próprias do país onde nascemos (quem se esquece das castanhas pelo outono ou das idas à praia no verão?). E temos também as tradições da região onde vivemos como as festas da aldeia, as marchas populares, os festivais gastronómicos, as procissões ou fogos de artifício, entre tantas outras. Muitas destas tradições foram passando de geração em geração apenas por transmissão oral e representam verdadeiros tesouros culturais e identificadores de um povo.

Mas a um nível mais pessoal, ou íntimo, temos as tradições que são próprias de cada família. Algumas delas envolvem todos os membros da família, como o local onde se encontram no dia de anos da avó, onde passam o fim de ano ou onde habitualmente vivem nas férias de verão. Mas existem também pequenas tradições, gestos, rotinas ou rituais que desde cedo vão sendo incorporados por cada criança, como uma história lida antes de adormecer, uma música a caminho da escola, uma refeição especial em determinado dia da semana, o lanchinho às quartas feiras em casa da avó, as idas ao futebol ver os jogos da equipa preferida e tantas outras que são criadas diariamente e que alimentam nas crianças o seu sentimento de pertença e partilha, para além da rotina do seu dia-a-dia entre a casa e a escola.

Para uma criança todas estas situações e atividades lhe dão um sentimento de segurança, identidade e de pertença a algo maior do que elas próprias. Permitem-lhe criar memórias e fortalecer os laços familiares. Ao mesmo tempo, os rituais e tradições funcionam como âncoras e ajudam a criança a sentir que o mundo que a rodeia é de alguma forma previsível e seguro. Mais importante, estes momentos servem fundamentalmente parta fortalecer os laços familiares, nomeadamente os que unem cada criança a cada um dos restantes membros daquela família. 

Na adolescência pode ser mais difícil manter os jovens ligados a algumas tradições familiares. Não nos podemos esquecer que a adolescência é isso mesmo: um tempo de identificação pessoal e de corte ou ruptura com algumas rotinas e tradições familiares com vista a um maior sentimento de independência. Por isso alguma rebeldia é comum e deve ser considerada normal. O adolescente vai sempre ter tendência a criar novas tradições e rituais com os seus pares, distantes e diferentes das tradições que vinha vivendo até aí. 

O importante é ter feito o trabalho de casa nos anos anteriores a esta fase. Nada acontece por acaso e um jovem que não foi criado vivendo tradições familiares, dificilmente as vai criar na fase mais problemática da sua vida. De seguida, o meu conselho é os pais focarem-se naquilo que é realmente essencial deixando “cair” algumas rotinas menos importantes e às quais os jovens têm mais dificuldade em adaptarem-se e das quais querem mesmo afastar-se. Nada de fazer dramas ou histerias desnecessárias. Manter os valores essenciais e desvalorizar as pequenas ausências deve ser a norma. Até porque a adolescência não dura para sempre e por isso o mais importante é respeitar as opções e dar tempo, pois na grande maioria das vezes, após um período de maior ausência, eles aí estão de volta para connosco partilhar muitos tempos em conjunto. Faz parte da vida, faz parte de ser família.

Paulo Oom

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